Era dos Tempos

Em tempos que o consumo de vinho nacional cresce no Brasil, os laranjas despertam curiosidade nos enófilos, os consumidores se sentem cativados por experiências que envolvem os cinco sentidos...  
Em tempos que momentos e vivências genuínas atraem mais pessoas, nascem degustações únicas e exclusivas que parecem sintonizar-se à realidade atual: Verticais da Era dos Ventos.
“Experiência fantástica para o Brasil”

 

“Sempre achei poética a relação entre Vinho e Tempo. Cada safra me traz, inevitavelmente, as lembranças do que vivi naquele ano: Os meus sonhos, alegrias, medos e sorrisos. Isso é o que me marca, muito mais do que questões climáticas de cada ano” afirma Zanini, vinhateiro da Era dos Ventos, que já apresentou cinco Verticais: Quatro com Peverella e uma com o Trebbiano, “essa última, a mais recente, com a safra 2014, que me surpreendeu e gerou perplexidade nas pessoas”, diz enigmático. Sobre suas próximas degustações, o produtor adianta: “Pela sua importância histórica e cultural, gostaria de continuar fazendo Verticais do Peverella, fazer algumas outras do Trebbiano e, daqui a um tempo, iniciar as do Clarete (eleito o Melhor Tinto Brasileiro pela Descorchados)”.
Para o enólogo Adolfo Lona, as verticais da Era dos Ventos “resultam interessantíssimas” para entender a evolução, o tempo, o estilo, a coerência, a filosofia, a mão do enólogo... “É uma experiência fantástica para o Brasil e para a Era dos Ventos, ainda mais com o vinho laranja, que tem certa complexidade e maturação, vinificado junto com as cascas, traz componentes que o deixam mais sensível com o tempo” opina o argentino Lona.
Em 2014, Lona apresentou em São Paulo nove exemplares dos icônicos Baron de Lantier, de mais de vinte anos: “Foi uma experiência fantástica! e graças à colaboração de alguns amigos que tinham algumas garrafas - lembra hoje - O vinho estava vivo, com o estilo desejado, desafiando o tempo. Isto demonstrou a conservação de um tinto brasileiro, apesar de ser sempre questionado por alguns formadores de opinião!”.

Um pai que cuida do filho
“As nossas verticais são feitas com brancos macerados que apresentam um ótimo potencial de guarda”, conta Zanini. “Vinhos que chamam a atenção pela sua idade e uma surpreendente capacidade de guarda, no mínimo de quatro, cinco anos” acrescenta Lona.
“Estava curioso para saber como um vinho se comportaria depois de dois, quatro, oito, dez anos. Isso me levou, desde a primeira safra, a guardar uma quantidade mínima destas garrafas e cuidá-las, protegê-las da luz e abriga-las sem oscilação de temperatura” explica Zanini. “O difícil de uma Vertical é guardar os exemplares, às vezes, são vinhos de trinta anos que precisam ser conservados a uma temperatura de 12 a 15 graus e em total escuridão. Caso sejam expostos a 18/22 graus e à alguma luminosidade, a coisa pode mudar, porque a velocidade de maturação se acelera com a temperatura acima de 15 graus, portanto, os anos passam e deixam suas marcas, isto é evidente” alerta Lona.

 

A percepção de Zanini
“Recentemente, abrimos meus três vinhos mais antigos: Teroldego (2007), Merlot (2007) e Peverella (2008). Os percebi íntegros, com sinais claros de que tinham muito tempo de garrafa pela frente. Ainda não consigo estimar o seu potencial, mas os vinhos da Era dos Ventos são longevos e evoluem muito bem com o tempo” acredita Zanini quem reconhece que estava certo em relação à escolha das variedades, da região e do método. “Ter apostado nesta filosofia de elaboração foi o maior acerto da minha vida dentro da enologia. Nestas verticais, senti que em todos os vinhos, apesar das nuances, existe uma identidade única. Obviamente, observamos nos vinhos a variação das safras e dos ciclos da natureza. Outro fator que percebi foi a integridade dos vinhos, impressiona como o Tempo faz bem aos nossos vinhos. A evolução está bem acima do que eu imaginava, pois jamais, (nem nos melhores dos prognósticos) eu sonharia com uma evolução tão maravilhosa. Atribuo isso à constância e poesia do trabalho. Mesmo os vinhos que, em tese, não teriam potencial de guarda, surpreenderam muito. Foi o caso da Vertical de Trebbiano que fizemos há pouco. Fico até surpreso com a expressão da coerência do trabalho que fizemos” conclui o gaúcho.
“As minhas safras preferidas? Difícil escolha!, Do Peverella, 2008, 2011, 2014, 2015, 2018 e 2019 (tendo em vista que 2020, 2021, 2022 ainda não foram lançadas). Do Trebbiano, 2014, 2017, 2018 e 2021. Gosto muito da primeira safra de cada vinho, as outras que citei, é por gosto pessoal mesmo”, opina o produtor artesanal de Caminhos de Pedra (RS).

Dicas de Lona
“O vinho manteve o estilo? Ele melhora com os anos? Essa evolução coloca o vinho em um patamar superior? - questiona Lona ao analisar as verticais - Isto significa que o vinho foi bem feito porque desafia o tempo. Em geral, um tinto com corpo melhora em questão de meses ou anos, mas quando passam dez, quinze anos, a coisa pode ser diferente. A gente pode avaliar nas Verticais até onde essa curva é ascendente, o ponto no qual o vinho se estabiliza e, caso chegue-se a verificar, em que ano e em qual idade ele começa a curva descendente? E no momento no qual apresenta acentuadas características de velhice, aparecem os aromas licorosos que comprometem sua capacidade vínica, transformando-o em um vinho envelhecido demais”, explica Lona. Porém, ele também faz uma ressalva em relação ao clima: “No Brasil, pode chover trezentos milímetros nos três meses de maturação e colheita ou pode chover o dobro, isso influencia muito nas características do vinho. O importante é que, caso a colheita não ajude, o enólogo busque manter o estilo sem fugir da intensidade dos aromas, do corpo”.

“Dia histórico na história do D.O.M.”
Em 2022, aconteceu um “dia histórico na história do D.O.M”, segundo comentou Atala nas redes, após prestigiar a Vertical do Peverella Era dos Ventos; “Alex foi de uma grandeza e generosidade imensa ao proferir estas palavras - agradece Zanini, o protagonista desse evento - Me senti verdadeiramente honrado! Um reconhecimento único; é a coroação de todo um trabalho. Foi emocionante para mim ouvir essa declaração por parte de uma pessoa tão relevante no cenário da gastronomia mundial. Dentro deste santuário que é o D.O.M. o Alex nos catapultou para outra dimensão, não tínhamos ideia da importância que Era dos Ventos tem para o vinho brasileiro”.

Era dos Tempos
“Na Era dos Ventos, de maneira natural, temos o tempo como o grande aliado do vinho. Precisamos do tempo para colher, fermentar, macerar, para o vinho repousar majestosamente, para evoluir, ganhar complexidade, e ficar pronto, porém este trabalho não conclui aí, tendo em vista que, depois de engarrafado, seu processo evolutivo continua. Para o vinho, o tempo é fundamental e o sucesso destas verticais é a prova disso”, argumenta um dos criadores do projeto junto à sua esposa, Talise Valduga Zanini.

“Pode ser uma visão romântica de um vinhateiro, mas nenhuma outra atividade é tão emblemática e reflete tanto o tempo no ciclo da vida quanto a vitivinicultura -afirma o Poeta dos Vinhos - Observar o ciclo vegetativo é como refletir. Nós nos imaginamos, enquanto seres vivos, nas etapas que cingem as estações, mas também isso nos leva à reflexão sobre o nosso próprio tempo. Entre estas reflexões, nos deparamos com uma série de variáveis de um mundo moderno que parecem ser incontroláveis como a velocidade e a produtividade. Sinto que na Era dos Ventos não atropelamos os processos para aumentarmos a ‘eficiência’ no que chamamos de produção”.


Por: Diego Graciano

Sobre a loja

Somos mendocinos e desde 2014 importamos e comercializamos rótulos de winemakers que sabem que o tempo e o amor fazem toda diferença em cada garrafa que produzem, cada uma delas guarda uma história. Garimpamos o que tem de mais interessante em vinhos de pequenas produções argentinas e brasileiras para oferecer ao mercado por preços acessíveis. Atendemos alguns dos principais restaurantes, bares e hotéis de diversos estados. E agora também entregamos para o consumidor final em todo o Brasil.

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